Quando um problema é um problema?

Problema é “tudo aquilo que não se sabe fazer, mas que se está interessado em resolver”, segundo Onuchic e Zuffi, isto é, “qualquer situação que estimule o aluno a pensar, que possa interessá-lo, que lhe seja desafiadora e não trivial”. Problemas distinguem-se de exercícios que podem ser resolvidos com a aplicação rotineira de uma sequência já conhecida ou memorizada de passos ou algoritmos. A resolução de um problema pode nos levar a soluções diferentes, de acordo com as restrições adotadas, ou pode nos levar à conclusão da inexistência de soluções.

A Resolução de Problemas constitui um campo de pesquisa em Educação Matemática, mas vem sendo tratada mais recentemente como uma metodologia de ensino. Nessa metodologia, problemas são propostos de modo a contribuir para a construção de novos conceitos e novos conteúdos, antes mesmo de sua apresentação em linguagem matemática formal. Ela não se confunde com a “introdução de problemas de aplicação, geralmente encontrados nos finais dos capítulos dos livros-textos de Matemática” (Onuchic e Zuffi , 2007). Além de provocar a reflexão e construção de novos conhecimentos, essa metodologia pode e deve favorecer a autonomia do aprendiz, desde o reconhecimento de um problema , isto é, a identificação de uma situação que pode e merece ser investigada com a ajuda de recursos que estão disponíveis ou terão que ser construídos.

“Compreender os dados de um problema, tomar decisões para resolvê-lo, estabelecer relações, saber comunicar resultados e ser capaz de usar técnicas conhecidas são aspectos que devem ser estimulados em um processo de aprendizagem através da resolução de problemas. No decorrer desse processo, a formalização, o simbolismo e as técnicas precisas são introduzidas depois da resolução trabalhada, dando-se liberdade aos alunos, evitando-se direcioná-los para “o que pensar” ou “o que fazer”, conduzindo-os somente em casos de maiores dificuldades, ou seja, quando eles não sabem como agir” (Onuchic e Zuffi , 2007).

Para mais leituras sobre o tema, consulte

CARVALHO, Dione L.; PINTO, Maria Aparecida V. M. Rumo às significações no estudo do discurso sobre resolução de problemas.  In: CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA,V,2005,Porto. Actas . Porto: 2005.
Disponível em: http://www.mytwt.net/cibem5/
ZUFFI, Edna Maura; ONUCHIC, Lourdes de la Rosa. O Ensino-Aprendizagem de Matemática através da Resolução de Problemas e os Processos Cognitivos Superiores.  Unión – Revista Iberoamericana de Educación Matemática , 11, sept. 2007, p. 79-97.
Disponível em: http://www.fisem.org/paginas/union/revista.php
RAMOS, A; MATEUS, A; MATIAS, J.B.; CARNEIRO, T. Problemas matemáticos: caracterização, importância e estratégias de resolução.  Texto apresentado paa a disciplina MAT450 – Seminários de Resolução de Problemas, no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP). São Paulo: 2002.
Disponível em: http://www.miniweb.com.br/ciencias/Artigos/resolucao_problemas.pdf .
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